quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

These are hard times for dreamers.

Durante toda a minha vida eu quis ser diferente em tudo que eu fazia. Então quis ser diferente nos meus 19 anos de idade quando fui fazer o meu primeiro vestibular. Optei por letras porque achava que iria estudar profundamente a literatura, que iria estudar a gramática de uma outra língua, que iria compreender todas as pessoas do mundo, que iria saber o que as pessoas queriam dizer quando elas não diziam realmente.

Dois anos depois cá eu estou, com o coração muito apertado querendo que o tempo volte pra trás quando ele nesse momento está com pressa de passar. Queria poder optar por não ser diferente, queria optar por ser igual a todo mundo. Queria ter dado ouvidos aos meus tios que me aconselharam fazer administração. Se eu tivesse ouvido eu não estaria passando por isso ou estaria mas, pelo menos estaria empregada e ganhando o dinheiro que tanto me faz falta pra ser feliz. Ah sim, depois de um tempo eu soube que dinheiro sim é tudo nessa vida.
Depois de um tempo você percebe que ter uma vida feita de alegriasinhas não é uma vida. These are hard times for dreamers.

Costumavam me perguntar qual era o meu maior medo na vida e eu sempre respondia "Não tenho medo de nada, só de escorpiões." Foi então que eu percebi que meu maior medo na vida é não ser ninguém. Sabe, fico imaginando minha filha na escola falando sobre os pais:
- E então Sophia, o que é que a sua mãe faz?
- Minha mãe não faz nada. Só é mãe.
É até bom pensar assim porque ser mãe já é ser alguma coisa. Ser mãe deve ser uma profissão a parte. Ser mãe deve ser bom porque o pagamento não é em dinheiro, é em beijinhos doces e melequentos de pirulito. Ser mãe deve ser pra voltar a ser sonhadora.

Se eu fosse sonhadora e mãe eu diria pra minha filha que é preciso amar todas as pequenas coisas e todas as pequenas pessoas e se eu fosse só uma mãe eu diria pra ela que os números é que movem o mundo e não as doçuras.

Talvez eu esteja indo longe de mais mas a verdade é que cá estou eu, frustrada com as minhas escolhas, com o tempo perdido, com o medo do futuro apertando meu coração entre os dedos me fazendo chorar.
E o único jeito que arranjei pra tentar fazer com que as minhas lágrimas não caiam é escrever aqui. É como se ver as palavras aparecendo depois do "tracinho piscante" fosse uma espécie de terapia. Só escreve quem tem vontade, só escreve quem está assustado, só escreve quem se importa, só escreve quem precisa, só escreve quem não tem amigos...

São tempos difíceis pra mim