quinta-feira, 9 de junho de 2011

1984: A Distopia Sensitivista de George Orwell

Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força

Vocês devem estar se perguntando O que raios eu quis dizer com sensitivista, né? Pois bem. Não sei se essa seria a palavra certa mas achei que ela se adequaria perfeitamente às descrições dos ambientes e sensações físicas dos personagens do livro.

Posso ficar aqui por horas a fio compartilhando argumentos altamente persuasivos a cerca do livro. Uma das coisas mais surreias em relação ao livro é a de que George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) publicou a trama no ano de 1949. E é totalmente surpreendente como tudo o que é citado na obra "acontece" nos dias atuais. 

A trama se passa no ano de 1984 na qual é narrada a história de um cidadão com uma vida rotineira e aparentemente sem significância alguma, chamado Winston Smith que nada mais faz  da vida do que dedicar seu tempo ao trabalho no Ministério da Verdade: Modificar documentos públicos e literários a favor do Partido Interno governado pelo Grande Irmão. Winston  sente- se cada vez mais incomodado com o regime do Grande Irmão até que se revolta contra a opressão do Partido juntamente com Júlia.

Está além dos meus limites analisar - friamente - a obra prima de George, até porque se eu fizesse isso nesse espaço acabaria liberando - se já não liberei - alguns spoilers aqui. 
Todo esse meu interesse surgiu da minha segunda leitura de "A Revolução dos Bichos" pra realizar uma análise pra disciplina de Literatura Inglesa do meu curso da faculdade. A minha curiosidade venceu e tive que ler 1984 e me encantei por esse gênero da literatura, tanto, que resolvi fazer o meu TCC sobre Distopia que nada mais é do que um processo discursivo baseado numa ficção no qual se destaca o totalitarismo acima da sociedade. Nada mais minha cara de pessimista do que um conceito de utopia negativista, não? Se bem que o conceito de utopia soa negativo por si só, já que se encontra no plano das ideias.

Voltemos ao sensitivismo a que me referi no título do post. Eu dúvido que exista um livro capaz de te fazer sentir as mesmas coisas que o personagem sente, além de 1984. Digo isso, pelo fato de que em determinados momentos do livro eu me senti tão enjoada quanto o Winston ao entrar no refeitório do Ministério da Verdade ou ao passar dias no Ministério do Amor. Era como se eu pudesse sentir o cheiro que saía das páginas abertas do livro. Ao começar a ler o capítulo 21 era como sentir que meus órgãos estivessem todos amarrados por um barbante e fossem se apertando à medida que eu fosse terminando o capítulo. Uma coisa realmente incômoda. Não consigo pensar num jeito melhor pra ilustrar, não sou muito boa com descrições de sensações, afinal têm alguém que é? E isso fica ainda mais complicado de explicar para quem não leu.
Sem contar ainda a paranóia que fica depois da frase mais citada do livro: Big Brother is watching you. Qualquer câmera de vigilância é motivo pra mudar seu jeito de agir e principalmente trazer à frente o duplipensamento O Partido Interno tem total controle sob os atos e pensamentos dos membros do Partido Externo.

As vezes me pego a pensar no que poderia acontecer se todas as pessoas do mundo pegassem esse livro pra ler - Olha meu pensamento utópico se manifestando - não ia ser uma coisa muito legal. Haveria uma grande revolução contra os poderes governamentais atuais e mortes, muitas mortes, por diferentes motivos destacando-se os suicídios. 
O bom é que como eu disse, isso começa com um pensamento utópico, ou seja, irrealizável. Tanto o meu pensamento quanto o livro não passam de ficção. É algo utópico distópico.

"Ao futuro ou ao passado, a uma época em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros e que não vivam sós - a uma época em que a verdade existir e o que foi feito não puder ser desfeito: Cumprimentos da era de uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplipensar!"
ORWELL, George