terça-feira, 3 de maio de 2011

Heureux à en mourir.


Ninguém percebe quando o vazio chega. É como doença invísivel só se sente os sintomas. E o que resta é correr pra ver o que acontece e muitas vezes isso nem é descoberto. Ela sentia uma enorme vontade de dormir e isso que dormira durante toda a tarde do dia 03 de maio e consequentemente perdera a hora de sair. Era um desânimo, era uma saudade, era uma coisa que nunca sentira antes.

Queria que o tempo passasse rápido mas assim que esse desejo vinha-lhe a cabeça ela sentia uma imensa vontade de se esconder. Tinha medo de ver como ia ser o futuro. A família toda sempre teve o pensamento muito positivo em relação à todas as coisas da vida, mas, por que seria diferente com ela? Por que não poderia ter otimismo dentro do peito? Por que não se espelhava na avó, que durante toda a vida trabalhou e com o dinheiro da aposentadoria fora conhecer o mundo?

Ela sabia que precisava de ousadia se quisesse fazer o mesmo. As pessoas sempre diziam que era preciso um pouco mais de confiança em si mesma, mas na realidade, ninguém sabia como nem onde encontrar a tal confiança que lhe faltava. Enquanto ouvia a famosa Comptine d'un autre été: l'après midi fora interrompida pela bela imagem de um parque com árvores muito verdes pelas quais o sol passava em meio as folhas da copa. Então se imaginou andando de bicicleta - por mais que na vida real não soubesse - pelo caminho asfaltado do parque. O vento soprava de leve e fazia com que seus cabelos balançassem levemente.
De olhos fechados sorria ao imaginar a cena. Pensava em como seria bom se pudesse realmente viver aquela cena. Queria poder não se preocupar com nada, queria poder parar pra sentir o vento no rosto, queria poder ver o sol desaparecer atrás dos prédios.

Com um suspiro longo, deixou -se levar pela voz de Edith Piaf  na vitrola, e perder -se novamente em pensamentos.