sexta-feira, 16 de julho de 2010

Há Uma Luz Que Nunca Se Apaga

                                                                          (Foto por: Shelka)

Pela primeira vez em sua vida ela poderia dizer que não dormiu porque sua cabeça não parava de pensar, e de fato, a cabeça nunca para quando dormimos, mas nesse caso a cabeça não parava de trazer memórias daquele dia.
Quando olhara para o relógio encima da escrivaninha enxergará 04:30. Mais uma vez virou-se para o lado e tentou acalmar os próprios pensamentos, tentou confabular com sua própria mente, dizendo que aquilo não era hora para memórias era hora de dormir.

Seu sono fora interrompido pelo toque do telefone, e como estava ainda despertando prefiriu o deixa-lo tocar. Abriu os olhos e ja não via mais o clarão da manhã entrando pelos furos da janela de correr e sim o claro do entardecer. Fez um esforço para levantar o pescoço e enxergar no relógio que eram 16:55. Ficara espantada com a hora, não queria ter dormido todo aquele tempo. Se perguntou então que horas que voltaria a dormir de novo. Detestava quando a troca de horários acontecia. Levantou - se da cama com esforço e rastejou - se até a porta, quando a abriu sentiu sua cabeça latejar. Pensou que pdoeria ser fome então foi até a cozinha e resolveu preparar um chá, para esquentar o corpo que agora sentia frio.

No resto da noite dividiu o silêncio do apartamento com as bandas que mais ouvira nos últimos meses. Joy Division e The Smiths. Perderá a conta de quantas ouvira There Is a Light That Never Goes Out. Enquanto cantarolava, imaginava que poderia estar fora de casa naquele começo de sexta feira. Poderia estar em qualquer lugar, não se importaria. Pensou em como seria bom se pudesse ver as luzes de São Paulo do alto. Fora tomada pela saudade que tinha daquela cidade, jamais gostara da idéia de mudar-se para perto da família. Não precisava estar perto da família, percisava estar perto da sua paixão, daquele que a acolhera desde pequena. Saudade da família dava pra matar mas da cidade não. Ela precisava se sentir parte da cidade todos os dias que ainda lhe restavam. Suspreendeu-se com a conclusão de que a sua paixão só aumentava. Pensando naquilo, sua determinação aumentara ainda mais. Faria tudo o que fosse possível para voltar a fazer parte da paixão de sua vida.