terça-feira, 30 de setembro de 2008

Hoje

voltando 9 anos atrás, me lembro de estar sentada com a minha mãe na sala vendo desenho animado enquanto a família toda conversava na sala, um final de tarde bonito, o sol veio bater na janela depois da chuva ter molhado as plantas do lado de fora, lembro de estar quase dormindo, quando minha avó e minha tia chegam do hospital chorando desesperadamente chegavam a soluçar, minha mãe levantou tão depressa que havia esquecido que eu estava deitada no sofá com a cabeça no seu colo me deixando sem entender o porque daquilo tudo, sem pensar duas vezes fui até a sala e me deparei com a minha tia com os braços envolta do pescoço da minha mãe levando ela pra cozinha, quando eu vi minha avó sentada no canto do sofá com aqueles olhos azuis que ficavam tão mais bonitos quando estavam na companhia de um sorriso, desta vez estavam cheios de lágrimas eu só sabia olhar pros olhos dela, tinha até esquecido que haviam outras pessoas na sala, então eu perguntei o que tinha acontecido e respondeu me abraçando forte que meu tinha me deixado um beijo, nada mais do que isso. Por alguns longos minutos eu fiquei quieta ouvindo o choro que vinha de todas as partes, até então não tinha consciencia do que tinha acontecido, ainda não tinha caido a ficha. Lembro de ter chorado só quando eu o vi pela última vez, gelado e com os olhos fechados, parecia que estava sonhando, sera que de fato estava mesmo? Desde então não tinha visto mais minha mãe, não sei como reagiu, não gostaria de ver aquele sofrer dela. Até então minha vida ficou com buraco, minha família ficou menor e a minha infância tinha acabado aos 9 anos. Passado os anos setembro se tornou um mês gelado, vazio sem conteúdo, no qual os 30 dias passam o mais lentamente possível, se tornaram chatos desde o seu primeiro dia até o último. O mês do qual eu menos gosto, não é a toa que dentro desses 30 dias, eu reaja de forma estranha. Eu tento seguir, como venho fazendo durante esses anos todos, conviver com a saudade diária. Passava mais tempo com você do que com qualquer outro e sempre que tinha a oportunidade eu lhe dizia algo verdadeiro, uma palavra qualquer que faria qualquer pai orgulhoso. Hoje eu sei quanta falta você me faz, e me arrependo de não ter te dito um obrigado, essa palavra simples que que dizer muito. Saudade de quando me levava pra trabalhar com você e me deixava faltar na escola, quando comprava sorvete e me deixava sujar toda a roupa, quando a gente pedia pizza quando minha mãe saia atrasada pro trabalho e não deixava comida pronta, quando me deixava assistir tv até tarde, quando me chamava de escretária, quando pegava na minha mão pra atravessar a rua e dizia "corre bebê", quando me levava pra jogar basquete e falava que eu ia ser a nova hortência, que fazia planos pro futuro, quando me buscava na escola, quando me levava no colo quando eu não aguentava mais andar, quando dizia que eu era o tesouro da vida dele, quando me chamava de guriasinha com aquele sotaque gaúcho bonito. Já não é supresa quando olham uma foto nossa e dizem como somos parecidos, tanto fisicamente como mentalmente. Gostaria que estivesse aqui ainda, mas isso é um desejo cliche, eu ja cresci e sei que isso não acontece. Mas sei que em cada gota de sangue dentro de mim tem um pedaço de você. Te manter vivo dentro de minhas memórias é uma das minhas responsabilidades e quando um dia tiver filhos não deixarei de lhes contar como você foi único, explendido e incomparavel. O meu grande amor, o meu pai;